Introdução
Define-se ITU recorrente como três ou mais episódios de cistite num ano ou dois episódios nos últimos seis meses, em mulheres não grávidas sem fatores de complicação urológica. Afeta aproximadamente 5% das mulheres em idade fértil e é uma causa frequente de consultas repetidas e uso excessivo de antibióticos.
Fatores de risco
Entre os fatores mais relevantes contam-se a atividade sexual frequente, o uso de espermicidas ou diafragma, nova parceria sexual, história de ITU na infância, antecedentes familiares e, nas mulheres pós-menopáusicas, a atrofia vaginal por défice estrogénico. É essencial excluir patologia urológica subjacente em casos atípicos.
Medidas comportamentais
As recomendações com melhor suporte científico incluem: aumentar a ingestão hídrica (estudos mostram que beber mais 1,5 L/dia reduz recorrências em cerca de 50%); urinar pós-coito; evitar espermicidas; e considerar lubrificantes não espermicidas. Limpar da frente para trás após a defecação é prática sensata, embora a evidência seja limitada.
Opções não-antibióticas
Várias alternativas têm ganho relevância para reduzir o uso de antibióticos: estrogénio vaginal em mulheres pós-menopáusicas, D-manose (estudos preliminares promissores), extratos de arando padronizados e vacinas orais como o OM-89 (Uro-Vaxom®), disponíveis em Portugal e noutros países europeus. A metenamina hipurato é recomendada pelo NICE como alternativa não-antibiótica em mulheres com ITU recorrente.
Profilaxia antibiótica
Quando as medidas anteriores falham, pode considerar-se profilaxia contínua em dose baixa (nitrofurantoína 50-100 mg/dia, trimetoprim 100 mg/dia) durante 3-6 meses, profilaxia pós-coito ou autotratamento guiado pelo doente com receita prescrita. A profilaxia deve ser discutida caso a caso, pesando benefícios e risco de resistências.
Perguntas frequentes (FAQ)
Tenho de fazer sempre antibiótico?
Não. Em muitas mulheres, as medidas comportamentais, estrogénio vaginal, D-manose ou metenamina são suficientes para reduzir recorrências. O objetivo é minimizar a exposição antibiótica.
Preciso de ecografia ou cistoscopia?
Não por rotina. Estes exames só estão indicados quando há sinais de alarme (hematúria, sintomas atípicos, falência terapêutica) ou suspeita de alterações estruturais.
Os probióticos ajudam?
Não por rotina. Estes exames só estão indicados quando há sinais de alarme (hematúria, sintomas atípicos, falência terapêutica) ou suspeita de alterações estruturais.