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Infeção Urinária no Homem e no Idoso: Particularidades, Diagnóstico e Quando Investigar

Introdução

A infeção urinária no homem e no idoso apresenta particularidades clínicas que a distinguem da cistite não complicada na mulher jovem. No homem, a infeção urinária é considerada sempre complicada pelas guidelines internacionais, dado que frequentemente reflete anomalias anatómicas ou funcionais do trato urinário. No idoso, a apresentação clínica pode ser atípica e a distinção entre bacteriúria assintomática e infeção verdadeira é um desafio clínico frequente.

A European Association of Urology (EAU) estima que a incidência de infeção urinária nos homens aumenta significativamente após os 50 anos, em grande parte devido à hiperplasia benigna da próstata (HBP) e à consequente obstrução do fluxo urinário. Em Portugal, o envelhecimento da população torna a gestão das infeções urinárias no idoso uma prioridade crescente para os cuidados de saúde primários.

Infeção Urinária no Homem

A infeção urinária no homem jovem (<50 anos) é incomum e deve levantar a suspeita de ISTs (uretrite por clamídia ou gonorreia), prostatite ou anomalias urológicas. No homem com mais de 50 anos, a hiperplasia benigna da próstata é o fator predisponente mais frequente, causando resíduo pós-miccional elevado e estase urinária que favorece a proliferação bacteriana.

A prostatite bacteriana aguda é uma complicação grave que se manifesta com febre alta, calafrios, dor perineal, disúria e, por vezes, retenção urinária aguda. O toque retal revela uma próstata dolorosa e edematosa. A antibioterapia deve incluir fármacos com boa penetração prostática — as fluoroquinolonas e o trimetoprim-sulfametoxazol são preferidos neste contexto, durante 2 a 4 semanas.

A EAU recomenda que todos os homens com infeção urinária realizem urocultura com antibiograma antes do tratamento. A investigação urológica complementar — ecografia renal e vesical com avaliação de resíduo pós-miccional, urofluxometria e, em casos selecionados, uretrocistoscopia — está indicada em infeções recorrentes, hematúria persistente ou suspeita de obstrução.

Infeção Urinária no Idoso

A infeção urinária no idoso apresenta desafios diagnósticos específicos. A bacteriúria assintomática é extremamente prevalente nos idosos — afetando 20 a 50 % das mulheres e 5 a 20 % dos homens com mais de 70 anos — e não deve ser tratada com antibióticos, exceto antes de procedimentos urológicos invasivos.

A apresentação clínica da infeção urinária no idoso pode ser atípica: confusão mental aguda (delirium), deterioração funcional, agitação, incontinência urinária de novo, anorexia e quedas podem ser os únicos sinais, sem os sintomas urinários clássicos. O NICE alerta que a bacteriúria assintomática não deve ser tratada apenas porque o idoso apresenta confusão — outras causas de delirium devem ser excluídas antes de atribuir os sintomas a infeção urinária.

O uso excessivo de antibióticos para bacteriúria assintomática nos idosos é um problema reconhecido, contribuindo para resistências antimicrobianas e efeitos adversos (diarreia por Clostridioides difficile). A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda que a decisão de tratar seja baseada na presença de sintomas específicos de infeção urinária, e não apenas na presença de bactérias na urina.

Infeção Urinária Associada a Cateter

A infeção urinária associada a cateter vesical (CAUTI) é a infeção nosocomial mais frequente, representando 40 % de todas as infeções associadas aos cuidados de saúde. A colonização bacteriana do cateter ocorre a uma taxa de 3 a 8 % por dia, tornando a bacteriúria quase universal em cateterizações prolongadas.

A prevenção da CAUTI baseia-se em: indicação restrita para cateterização (usar apenas quando clinicamente necessário), remoção precoce do cateter (reavaliação diária da necessidade), técnica asséptica na inserção, manutenção de sistema de drenagem fechado e higiene do meato urinário. A European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) promove bundles de prevenção de CAUTI nos hospitais europeus.

O tratamento da CAUTI sintomática deve ser guiado por urocultura, com remoção ou substituição do cateter quando possível. A bacteriúria assintomática em doentes cateterizados não deve ser tratada com antibióticos. O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) monitoriza as taxas de CAUTI e os padrões de resistência em hospitais portugueses através do Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA).

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece avaliação de infeções urinárias em homens e idosos, com diagnóstico diferencial adequado, orientação sobre investigação urológica e tratamento personalizado.

Mulher em teleconsulta médica para tratar infeção urinária

Perguntas frequentes (FAQ)

É considerada mais complexa. No homem, a infeção urinária pode indicar problemas prostáticos ou anomalias urológicas, requerendo investigação mais aprofundada e tratamento mais prolongado.

Não necessariamente. A bacteriúria assintomática é muito frequente nos idosos e não deve ser tratada. Só se considera infeção quando há sintomas urinários ou sinais sistémicos de infeção.

Não. O delirium no idoso tem múltiplas causas: medicamentos, desidratação, infeções respiratórias, AVC, alterações metabólicas. A infeção urinária é frequentemente sobrediagnosticada como causa de confusão.

A próstata é um reservatório potencial de bactérias, difícil de penetrar por muitos antibióticos. Por isso, o tratamento no homem dura geralmente 7-14 dias, comparativamente a 1-5 dias na mulher.

Não sempre, mas o risco é elevado. A colonização bacteriana aumenta 3-8% por cada dia de cateterização. Por isso, os cateteres devem ser usados apenas quando necessário e removidos o mais cedo possível.

Conclusão

A infeção urinária no homem e no idoso requer uma abordagem distinta da cistite na mulher jovem. No homem, a investigação urológica é frequentemente necessária. No idoso, a distinção entre bacteriúria assintomática e infeção verdadeira é crucial para evitar antibioterapia desnecessária. A gestão racional das infeções urinárias nestas populações contribui para melhores resultados clínicos e para a preservação da eficácia dos antibióticos.

Referências

European Association of Urology (EAU)

National Institute for Health and Care Excellence (NICE)

Direção-Geral da Saúde (DGS)

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.