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Resistência Antimicrobiana nas Infeções Urinárias: Um Desafio Global

Introduction

A resistência antimicrobiana nas infeções urinárias é uma preocupação crescente de saúde pública global. A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a resistência antimicrobiana como uma das dez principais ameaças à saúde global, estimando que até 2050 poderá causar 10 milhões de mortes anuais se não forem tomadas medidas urgentes.

Em Portugal, a resistência das bactérias uropatogénicas tem aumentado progressivamente, com destaque para a Escherichia coli produtora de beta-lactamases de espectro alargado (ESBL) e a resistência às fluoroquinolonas. O Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA) monitoriza estes padrões e publica relatórios anuais que orientam as recomendações terapêuticas nacionais para as infeções urinárias.

Padrões de Resistência em Portugal

Os dados do PPCIRA e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) indicam que, em Portugal, a Escherichia coli apresenta atualmente resistências significativas: cerca de 20 a 30 % às fluoroquinolonas (ciprofloxacina), 20 a 25 % ao trimetoprim-sulfametoxazol, 40 a 50 % à amoxicilina e 5 a 15 % às cefalosporinas de terceira geração (devido a ESBL).

A resistência à fosfomicina permanece baixa em Portugal (<5 %), mantendo este antibiótico como tratamento empírico de primeira linha para cistite não complicada. A nitrofurantoína também preserva boa atividade (resistência <10 %), sendo uma alternativa eficaz. Estas duas opções são privilegiadas pelas guidelines europeias e nacionais para preservar os antibióticos de espectro mais largo.

A prevalência de ESBL nas bactérias comunitárias tem aumentado em Portugal, com a E. coli ESBL-produtora responsável por 10 a 15 % das infeções urinárias comunitárias. As infeções por bactérias produtoras de carbapenemases (CPE) são ainda raras na comunidade mas representam uma ameaça crescente, particularmente em doentes hospitalizados ou com contacto prévio com cuidados de saúde.

Fatores de Risco para Infeção por Bactérias Resistentes

A identificação de fatores de risco para bactérias multirresistentes permite a escolha de antibioterapia empírica mais adequada. Os principais fatores de risco incluem: uso de antibióticos nos últimos 3 meses, hospitalização recente, residência em lar ou unidade de cuidados prolongados, viagem recente a países com alta prevalência de resistências (Sudeste Asiático, Médio Oriente, Norte de África) e infeções urinárias recorrentes.

Os doentes com cateterismo urinário, litíase renal, obstrução urinária, diabetes mal controlada ou imunossupressão têm maior probabilidade de desenvolver infeções por bactérias resistentes. A European Association of Urology (EAU) recomenda que estes doentes sejam considerados como tendo infeção urinária complicada e que a antibioterapia empírica cubra adequadamente bactérias multirresistentes.

O historial de viagens é particularmente relevante. Os viajantes regressados de regiões endémicas de ESBL podem ser colonizados por estas bactérias durante meses após a viagem. Um estudo publicado na Clinical Infectious Diseases demonstrou que 34 % dos viajantes para a Ásia do Sul tornam-se colonizados por E. coli ESBL durante a viagem, com metade a permanecer colonizada por mais de um mês.

Estratégias de Preservação da Eficácia Antibiótica

O uso racional dos antibióticos é a principal estratégia para preservar a sua eficácia. Os princípios fundamentais incluem: prescrição apenas quando indicada (evitar tratamento de bacteriúria assintomática), escolha do antibiótico com o espectro mais estreito eficaz, duração mínima adequada do tratamento e reavaliação com base no antibiograma assim que disponível.

A OMS classifica os antibióticos em três categorias (AWaRe — Access, Watch, Reserve): Access (primeira linha, amplamente disponíveis), Watch (uso restrito, maior potencial de resistência) e Reserve (último recurso, reservados para bactérias multirresistentes). A fosfomicina, nitrofurantoína, pivmecilinam e amoxicilina-ácido clavulânico pertencem ao grupo Access, enquanto as fluoroquinolonas e cefalosporinas de terceira geração pertencem ao grupo Watch.

Outras estratégias incluem: promoção de vacinação (pneumocócica, gripe para reduzir infeções respiratórias e prescrições antibióticas), higiene das mãos, stewardship antibiótico nos hospitais, e utilização de métodos de diagnóstico rápido. A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o PPCIRA promovem ativamente estas estratégias em Portugal, com campanhas educativas dirigidas aos profissionais de saúde e à população sobre o uso racional de antibióticos nas infeções urinárias.

In Doctor on the Net, a equipa clínica promove o uso racional de antibióticos nas infeções urinárias, com prescrição orientada pelos padrões locais de resistência e seguimento adequado para garantir eficácia terapêutica.

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Perguntas frequentes (FAQ)

O uso inadequado de antibióticos contribui para o desenvolvimento de resistências, tornando futuras infeções mais difíceis de tratar. Além disso, pode causar efeitos secundários desnecessários e mascarar diagnósticos importantes.

Não. Se o tratamento não for eficaz, deve ser feita urocultura com antibiograma para identificar a bactéria e a sua sensibilidade. O antibiótico seguinte deve ser escolhido com base nestes resultados, não na perceção de ‘força’.

ESBL significa beta-lactamases de espectro alargado. São enzimas produzidas por algumas bactérias que destroem muitos antibióticos beta-lactâmicos, tornando as infeções mais difíceis de tratar e requerendo antibióticos de reserva.

Sim. Viagens a certas regiões (Sudeste Asiático, Médio Oriente) estão associadas a colonização por bactérias ESBL, que pode persistir durante meses. Informe sempre o seu médico sobre viagens recentes ao apresentar infeção urinária.

Sim. Viagens a certas regiões (Sudeste Asiático, Médio Oriente) estão associadas a colonização por bactérias ESBL, que pode persistir durante meses. Informe sempre o seu médico sobre viagens recentes ao apresentar infeção urinária.

Conclusion

A resistência antimicrobiana nas infeções urinárias é um desafio global que exige uma abordagem coordenada entre profissionais de saúde e doentes. O uso racional dos antibióticos, a monitorização dos padrões de resistência, a escolha de antibioterapia empírica orientada pelos dados locais e a adoção de medidas preventivas são fundamentais para preservar a eficácia dos antibióticos disponíveis e garantir tratamentos eficazes das infeções urinárias no futuro.

Referências

World Health Organization (WHO)

Direção-Geral da Saúde (DGS)

European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC)

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Dr Alexandra Azevedo

Training: University of Barcelona
No. of doctors: 71409

Biography

Dr Alexandra Azevedo graduated in Medicine from the University of Barcelona in 2015, where she subsequently specialised in General Practice. During her training, she developed a strong interest in the approach to chronic pain, having completed an integrated master's degree in Medicine and Surgery with clinical research into pain management. Her professional experience includes several years of clinical practice in Spain, particularly in Catalonia, where she has had contact with a wide variety of pathologies and challenges, both in the emergency department and in primary healthcare.

She currently works as a family doctor at the ULS Braga. She has been a member of the medical-surgical emergency team at Vila Nova de Famalicão Hospital and has worked as a guest lecturer at the Nursing School of the University of Minho, teaching anatomy and physiology of the circulatory, respiratory and digestive systems.

Her main clinical interests include emergency medicine, chronic pain, depression and anxiety, as well as preventive medicine and the control of vascular risk factors. She is also dedicated to anti-smoking counselling and weight loss counselling, helping her patients to adopt healthier lifestyle habits. Her approach to care is based on a holistic vision, considering health as a balance between physical and psychological well-being.

Dr Alexandra stands out for her humanism and her ability to offer quick and effective solutions to minor problems, ensuring that her patients feel well looked after. At Médico na Net, she sees an opportunity to bring healthcare to more people in an accessible and convenient way.

Passionate about music and travelling, she loves getting to know different cultures and lifestyles, which enriches her view of the world and her medical practice. For her, medicine is not just a profession, but a real commitment to the well-being of the people she cares for. As she likes to say: "Health is the balance between physical and psychological well-being.