Introduction
Após a menopausa, a prevalência de infeções urinárias (ITU) aumenta significativamente, sendo a ITU um problema cada vez mais frequente. Estima-se que até 15% das mulheres com mais de 60 anos apresentem ITU recorrente. O défice estrogénico é o principal fator diferenciador no desenvolvimento de ITU nesta fase da vida. em relação às mulheres jovens.
Porquê na menopausa?
A redução dos estrogénios pós-menopausa provoca atrofia da mucosa vaginal e uretral, elevação do pH vaginal e diminuição dos Lactobacillus protetores, facilitando a colonização por Escherichia coli e outros uropatogénios. Somam-se alterações anatómicas (prolapso dos órgãos pélvicos), resíduo pós-miccional aumentado e comorbilidades como diabetes.
Quadro clínico
Os sintomas clássicos (disúria, polaquiúria, urgência) podem estar presentes, mas nas mulheres mais idosas a apresentação é frequentemente atípica: confusão, incómodo abdominal difuso, agravação de incontinência. É fundamental distinguir infeção verdadeira de bacteriúria assintomática, que é muito comum nesta faixa etária e não deve ser tratada com antibióticos.
Estrogénio vaginal: a peça-chave
O estrogénio vaginal em baixa dose (óvulos ou creme de estriol) está recomendado pelas guidelines europeias (EAU) e britânicas (NICE) como primeira linha na prevenção de ITU recorrente pós-menopausa. Restaura a mucosa, o pH ácido e a flora protetora. A absorção sistémica é mínima e o perfil de segurança é favorável, mesmo em mulheres com história de cancro da mama — embora neste grupo a decisão deva ser individualizada.
Outras estratégias
Metenamina hipurato, D-manose, vacinas orais (OM-89), hidratação adequada e correção de prolapsos com pessário ou cirurgia podem contribuir para reduzir recorrências. A profilaxia antibiótica em dose baixa continua a ser opção de segunda linha.
Perguntas frequentes (FAQ)
Bacteriúria assintomática precisa de antibiótico?
Não, salvo em contextos específicos (pré-operatório urológico). Tratar bacteriúria assintomática não reduz complicações e promove resistências.
O estrogénio vaginal aumenta o risco de cancro?
Não, salvo em contextos específicos (pré-operatório urológico). Tratar bacteriúria assintomática não reduz complicações e promove resistências.
Tenho de fazer ecografia?
Não por rotina. Está indicada se houver suspeita de resíduo pós-miccional elevado, prolapso significativo ou sintomas atípicos.