Introdução
A dermatite atópica (eczema atópico) é uma doença inflamatória crónica da pele, de base genética e imunológica, que afeta cerca de 5-10% dos adultos europeus. Embora seja mais conhecida como «doença de crianças», muitos doentes mantêm sintomas de dermatite atópica na idade adulta ou desenvolvem a doença pela primeira vez já em adultos.
Manifestações clínicas
O sintoma cardinal é o prurido intenso, muitas vezes noturno, acompanhado de lesões eczematosas — pele seca, eritema, vesículas, exsudação, crostas e liquenificação nas fases crónicas. No adulto, as zonas mais frequentemente atingidas são as pregas dos cotovelos e joelhos, mãos, pálpebras, pescoço e face. O impacto da dermatite atópica na qualidade de vida é significativo: perturbação do sono, absentismo laboral, ansiedade e depressão são comorbilidades frequentes.
A barreira cutânea
A dermatite atópica associa-se a uma disfunção da barreira epidérmica — frequentemente por mutações no gene da filagrina — que facilita a perda transepidérmica de água e a penetração de alergénios e microrganismos. Manter a barreira hidratada é a pedra angular do tratamento.
Tratamento
O primeiro passo é a aplicação diária e liberal de emolientes (cremes sem fragrância), mesmo nas fases de remissão. Nas crises, os corticoides tópicos de potência adaptada à localização são a primeira linha. Os inibidores tópicos da calcineurina (tacrolimus, pimecrolimus) são alternativa ou adjuvante, especialmente em zonas sensíveis como a face. Em formas moderadas a graves, estão disponíveis terapias sistémicas: dupilumab (anticorpo monoclonal anti-IL4/IL13), inibidores JAK orais (baricitinib, upadacitinib, abrocitinib) e tralokinumab, todos aprovados pela EMA e disponíveis em Portugal em regime hospitalar.
Medidas complementares
Evitar irritantes (sabões agressivos, lã, calor excessivo), usar roupa de algodão, banhos curtos e tépidos, e aplicar emoliente imediatamente após o banho. A gestão do stress e o sono adequado contribuem para reduzir surtos.
Perguntas frequentes (FAQ)
A dermatite atópica é contagiosa?
Não. É uma doença genética e imunológica, não infeciosa. Não se transmite por contacto.
Posso usar cortisona na cara?
Sim, mas corticoides de baixa potência e por períodos curtos. Os inibidores da calcineurina são alternativa preferida para a face e pálpebras.
O dupilumab tem efeitos secundários graves?
O dupilumab tem um bom perfil de segurança. Os efeitos mais comuns são conjuntivite e reação no local de injeção. Não apresenta o risco de imunossupressão dos fármacos clássicos.