Introdução
Embora a pílula contracetiva continue a ser o método mais utilizado em Portugal, os métodos contracetivos de longa duração e reversíveis (LARC — Long-Acting Reversible Contraception) oferecem vantagens significativas em termos de eficácia, comodidade e adesão. Os LARC — que incluem o dispositivo intrauterino (DIU) hormonal e de cobre, e o implante subcutâneo — têm eficácia superior a 99 % com taxas de falha praticamente independentes do fator humano.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a European Society of Contraception and Reproductive Health (ESC) recomendam que os LARC sejam considerados como primeira opção contracetiva para todas as mulheres, incluindo adolescentes e nulíparas, dada a sua eficácia superior e perfil de segurança favorável. Em Portugal, a acessibilidade aos LARC tem melhorado, com o DIU de cobre e o implante disponíveis gratuitamente no Serviço Nacional de Saúde.
DIU Hormonal e DIU de Cobre
O DIU hormonal com levonorgestrel (Mirena — 52 mg, Kyleena — 19,5 mg, Jaydess — 13,5 mg) liberta progestagénio localmente no útero, espessando o muco cervical e atrofiando o endométrio. A eficácia é superior a 99,8 %, com duração de 3 a 8 anos conforme o modelo. Um benefício adicional significativo é a redução do fluxo menstrual em 70 a 90 %, tornando o DIU hormonal um tratamento de primeira linha para menorragia.
O DIU de cobre (T de cobre) é o método contracetivo não hormonal de longa duração mais eficaz, com duração de 5 a 10 anos. O cobre exerce efeito espermicida e inflamatório local que impede a fecundação. A eficácia é de 99,4 %. É a opção ideal para mulheres que desejam evitar hormonas ou que tenham contraindicações a contracetivos hormonais. A principal desvantagem é o aumento do fluxo menstrual e da dismenorreia nos primeiros meses.
A Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare (FSRH) e o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) recomendam que o DIU seja oferecido como opção de primeira linha a todas as mulheres em idade reprodutiva. O mito de que o DIU não é adequado para nulíparas foi desmentido por múltiplos estudos: o ACOG e a FSRH confirmam a segurança do DIU em nulíparas e adolescentes.
Implante Subcutâneo e Anel Vaginal
O implante subcutâneo (Implanon NXT/Nexplanon) é um bastonete flexível de 4 cm inserido na face interna do braço, que liberta etonogestrel durante 3 anos. É o método contracetivo mais eficaz disponível (eficácia >99,95 %), com taxas de gravidez inferiores a 1 por 10 000 mulheres/ano. A inserção e remoção são procedimentos simples, realizados em consulta com anestesia local.
O principal efeito secundário do implante é a irregularidade menstrual: 20 % das utilizadoras tornam-se amenorreicas, 20 % têm hemorragia irregular frequente e as restantes mantêm padrão variável. A Sociedade Portuguesa de Ginecologia recomenda o aconselhamento prévio sobre alterações do padrão menstrual para melhorar a satisfação e a continuação.
O anel vaginal (NuvaRing) é um anel flexível inserido na vagina que liberta etinilestradiol e etonogestrel durante 3 semanas, com 1 semana de pausa. Oferece eficácia semelhante à pílula combinada (99,7 % com uso perfeito) com a vantagem de não requerer toma diária. A absorção vaginal proporciona níveis hormonais mais estáveis que a via oral, podendo reduzir efeitos secundários como náuseas. A ESC reconhece o anel vaginal como uma alternativa conveniente para mulheres que esquecem frequentemente a pílula.
Escolha do Método: Decisão Partilhada
A escolha do método contracetivo deve ser uma decisão partilhada entre a mulher e o profissional de saúde, considerando eficácia, efeitos secundários, preferências pessoais, estilo de vida, contraindicações e desejo de fertilidade futura. A OMS publica os Critérios Médicos de Elegibilidade que orientam a segurança de cada método em diferentes situações clínicas.
Os LARC são particularmente vantajosos para mulheres que desejam contraceção sem a necessidade de ação diária, semanal ou mensal. A eficácia real dos LARC é praticamente igual à eficácia perfeita, ao contrário da pílula cuja eficácia real (91 %) é significativamente inferior à eficácia perfeita (99,7 %) devido a esquecimentos.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) promove o acesso equitativo à contraceção em Portugal, com os LARC disponíveis gratuitamente nos centros de saúde do SNS. O aconselhamento contracetivo de qualidade, que apresente todas as opções de forma neutra e permita uma escolha verdadeiramente informada, é fundamental para a satisfação contracetiva e a continuação do método escolhido.
Na Médico na Net, a equipa clínica oferece aconselhamento contracetivo completo, apresentando todas as opções disponíveis — incluindo LARC — para uma decisão informada e personalizada sobre o método mais adequado a cada mulher.
Perguntas frequentes (FAQ)
O DIU pode ser colocado em mulheres que nunca tiveram filhos?
Sim. O DIU é seguro e recomendado para nulíparas por todas as guidelines internacionais. Os modelos mais pequenos (Kyleena, Jaydess) são especialmente indicados para mulheres que nunca estiveram grávidas.
A colocação do DIU é dolorosa?
Pode causar desconforto momentâneo durante a inserção, semelhante a cólicas menstruais. A maioria das mulheres tolera bem o procedimento. Analgesia prévia e técnicas de relaxamento podem minimizar o desconforto.
O implante engorda?
Estudos controlados não demonstram ganho de peso significativo com o implante. Algum aumento de peso pode ocorrer, mas é geralmente modesto e não difere do observado com outros métodos ou sem contraceção.
Posso usar o anel vaginal se sentir desconforto com tampões?
A maioria das mulheres não sente o anel vaginal depois de colocado. É mais macio e flexível que um tampão. Pode ser experimentado e, se causar desconforto, pode ser retirado facilmente.
A fertilidade volta rapidamente após retirar o DIU ou implante?
Sim. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção do DIU ou implante — geralmente no primeiro ciclo. Os LARC não afetam a fertilidade a longo prazo.