Introdução
A alergia alimentar é uma reação adversa imunomediada reprodutível à ingestão de um determinado alimento. Estima-se que afete cerca de 2-4% dos adultos e até 8% das crianças em países europeus, com tendência crescente nas últimas décadas.
Alergia ou intolerância?
É fundamental distinguir alergia alimentar (mediada pelo sistema imunitário, habitualmente por IgE) de intolerância alimentar (por exemplo, à lactose), que resulta de défices enzimáticos e não envolve mecanismos imunológicos. As manifestações, gravidade e abordagem são muito distintas.
Principais alimentos envolvidos
Os alergénios mais frequentes na Europa incluem leite de vaca, ovo, amendoim, frutos de casca rija, peixe, marisco, soja, trigo e sementes de sésamo. A Comissão Europeia lista 14 alergénios de declaração obrigatória na rotulagem alimentar.
Sintomas e anafilaxia
As manifestações surgem habitualmente em minutos a duas horas após a ingestão e podem incluir urticária, angioedema, vómitos, dor abdominal, broncospasmo e hipotensão. A anafilaxia é uma reação grave, sistémica e potencialmente fatal, que requer administração imediata de adrenalina intramuscular e avaliação hospitalar.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico apoia-se na história clínica, testes cutâneos, doseamento de IgE específica e, quando necessário, provas de provocação oral em meio controlado. O tratamento assenta na evicção estrita do alimento, educação do doente e familiares, plano de ação escrito e prescrição de autoinjetor de adrenalina em caso de risco de anafilaxia.
Perguntas frequentes (FAQ)
Uma alergia alimentar pode desaparecer?
Sim. Cerca de 80% das crianças com alergia ao leite ou ao ovo desenvolvem tolerância até à idade escolar. As alergias ao amendoim, frutos de casca rija, peixe e marisco tendem a persistir ao longo da vida.
Posso fazer desensibilização alimentar?
A imunoterapia oral para amendoim está aprovada em alguns países para crianças. Deve ser realizada em centros especializados, com estrita monitorização médica.
Como ler rótulos alimentares?
Na UE, os 14 alergénios de declaração obrigatória devem estar destacados na lista de ingredientes. Tenha também atenção às menções «pode conter vestígios de…», que sinalizam risco de contaminação cruzada.