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Dermatite Atópica: Eczema, Gestão da Pele e Novos Tratamentos

Introdução

A dermatite atópica, também conhecida como eczema atópico, é uma doença inflamatória crónica da pele que afeta 15 a 20 % das crianças e 3 a 10 % dos adultos em Portugal. Caracteriza-se por prurido intenso, pele seca e lesões eczematosas recorrentes, com impacto significativo na qualidade de vida, sono e desenvolvimento psicossocial.

A dermatite atópica faz parte da “marcha atópica”, estando frequentemente associada a rinite alérgica, asma e alergias alimentares. A European Academy of Dermatology and Venereology (EADV) e a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia publicam guidelines atualizadas que integram as novas terapêuticas biológicas e inibidores de JAK que revolucionaram a gestão da dermatite atópica moderada a grave.

Fisiopatologia e Diagnóstico da Dermatite Atópica

A dermatite atópica resulta de uma interação complexa entre disfunção da barreira cutânea, desregulação imunológica (resposta tipo 2) e fatores ambientais. Mutações no gene da filagrina (FLG) estão presentes em 20 a 50 % dos doentes com dermatite atópica moderada a grave, causando alteração estrutural do estrato córneo e aumento da perda transepidérmica de água.

Os sintomas cardinais incluem prurido crónico (sintoma obrigatório), lesões eczematosas com distribuição típica conforme a idade — face e superfícies extensoras em lactentes, pregas de flexão em crianças e adolescentes, áreas flexurais e mãos em adultos — e xerose cutânea generalizada. Os critérios de Hanifin e Rajka e os critérios do UK Working Party são as ferramentas diagnósticas mais utilizadas.

A avaliação da gravidade da dermatite atópica é feita através de escalas validadas como o SCORAD (SCORing Atopic Dermatitis), o EASI (Eczema Area and Severity Index) e o POEM (Patient-Oriented Eczema Measure). A EADV recomenda a utilização destas escalas para monitorização objetiva da resposta ao tratamento e para orientação das decisões terapêuticas em dermatite atópica moderada a grave.

Tratamento Tópico e Cuidados da Pele

O tratamento da dermatite atópica baseia-se numa abordagem escalonada que integra cuidados básicos da pele, tratamento anti-inflamatório tópico e, em casos moderados a graves, terapêuticas sistémicas. A hidratação cutânea com emolientes aplicados várias vezes ao dia é a base do tratamento, melhorando a função de barreira e reduzindo a necessidade de corticosteroides.

Os corticosteroides tópicos (CT) são o tratamento anti-inflamatório de primeira linha, com escolha da potência adaptada à localização, idade e gravidade. O uso intermitente (terapêutica proativa) — aplicação duas vezes por semana em áreas propensas, mesmo sem lesões ativas — reduz significativamente as recidivas. A EADV recomenda que o medo injustificado dos corticosteroides tópicos (corticofobia) seja abordado na consulta, esclarecendo a segurança do uso adequado.

Os inibidores tópicos da calcineurina (tacrolimus, pimecrolimus) são alternativas poupadoras de corticosteroides, particularmente úteis em áreas sensíveis (face, pálpebras, pregas) e para terapêutica de manutenção. O crisaborole (inibidor da fosfodiesterase 4) e o ruxolitinib tópico (inibidor de JAK) são opções mais recentes para dermatite atópica ligeira a moderada.

Terapêuticas Sistémicas e Biológicas

Na dermatite atópica moderada a grave que não responde ao tratamento tópico otimizado, as terapêuticas sistémicas estão indicadas. A ciclosporina é a terapêutica sistémica clássica, com eficácia rápida mas limitada pelos efeitos secundários (nefrotoxicidade, hipertensão) que impedem o uso prolongado. O metotrexato e a azatioprina são alternativas tradicionais.

O dupilumab (anti-IL-4/IL-13) foi o primeiro biológico aprovado para dermatite atópica moderada a grave, revolucionando o tratamento desta condição. Administrado por via subcutânea a cada 2 semanas, o dupilumab reduz significativamente o prurido, a extensão das lesões e melhora a qualidade de vida. Ensaios clínicos publicados no New England Journal of Medicine demonstraram que 40 a 50 % dos doentes atingem EASI-75 (redução de 75 % na gravidade) às 16 semanas.

O tralokinumab (anti-IL-13) e o lebrikizumab (anti-IL-13) são biológicos mais recentes com eficácia comparável. Os inibidores orais de JAK (upadacitinib, abrocitinib, baricitinib) oferecem eficácia rápida e conveniência da via oral, mas requerem monitorização por potenciais efeitos adversos cardiovasculares e oncológicos. A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o INFARMED regulam o acesso a estas terapêuticas em Portugal, com critérios específicos de elegibilidade para doentes com dermatite atópica grave.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece avaliação de dermatite atópica, orientação sobre cuidados da pele, tratamento tópico adequado e referenciação para consulta especializada nos casos moderados a graves.

Consulta médica online para diagnóstico e tratamento da dermatite atópica

Perguntas frequentes (FAQ)

Não. A dermatite atópica não é contagiosa. É uma doença inflamatória crónica da pele com base genética e imunológica, não sendo transmitida por contacto.

A relação é complexa. Em algumas crianças, alergias alimentares podem agravar o eczema. Contudo, restrições alimentares não são recomendadas sem evidência de alergia confirmada, pois podem causar défices nutricionais.

Quando usados corretamente, os corticosteroides tópicos são seguros e eficazes. Podem causar atrofia cutânea se usados em excesso ou em áreas sensíveis. O medo injustificado destes fármacos (corticofobia) leva a subtratamento.

Em muitas crianças, a dermatite atópica melhora ou resolve antes da adolescência. Contudo, pode persistir na idade adulta ou reaparecer mais tarde. Cerca de 30 % dos casos persistem na vida adulta.

Os biológicos como o dupilumab estão indicados em dermatite atópica moderada a grave que não responde ao tratamento tópico otimizado e terapêuticas sistémicas convencionais. A decisão é feita em consulta de dermatologia.

Conclusão

A dermatite atópica é uma doença crónica da pele com impacto significativo na qualidade de vida, mas com um arsenal terapêutico cada vez mais eficaz. A hidratação cutânea constante, o uso adequado de corticosteroides tópicos e, nos casos graves, as terapêuticas biológicas e inibidores de JAK permitem controlar os sintomas e melhorar substancialmente o bem-estar dos doentes com dermatite atópica.

Referências

European Academy of Dermatology and Venereology (EADV)

New England Journal of Medicine

Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV)

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.