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Asma Alérgica: Diagnóstico, Controlo e Terapêuticas Biológicas

Introdução

A asma alérgica é a forma mais frequente de asma, representando cerca de 60 a 80 % dos casos em adultos e mais de 90 % em crianças. Caracteriza-se pela inflamação crónica das vias aéreas desencadeada por alergénios inalantes — ácaros do pó doméstico, pólenes, fungos e pelos de animais — em indivíduos atópicos geneticamente predispostos. Em Portugal, a asma afeta aproximadamente 7 % da população, sendo uma das principais causas de absentismo escolar e laboral.

A Global Initiative for Asthma (GINA) publica anualmente recomendações atualizadas para o diagnóstico, controlo e tratamento da asma, integrando as terapêuticas biológicas que transformaram a gestão da asma grave. A Direção-Geral da Saúde (DGS) alinha as orientações portuguesas com a GINA, promovendo uma abordagem estruturada para o controlo da asma alérgica nos cuidados de saúde primários e hospitalares.

Diagnóstico da Asma Alérgica

O diagnóstico de asma baseia-se na presença de sintomas respiratórios típicos — pieira, dispneia, tosse e aperto torácico — com variabilidade temporal e confirmação de obstrução variável do fluxo aéreo. A espirometria com prova de broncodilatação é o exame fundamental: a reversibilidade da obstrução após broncodilatador (aumento do FEV1 ≥12 % e ≥200 mL) confirma o diagnóstico.

A identificação do componente alérgico envolve testes cutâneos por picada ou doseamento de IgE específicas séricas para os alergénios inalantes mais relevantes. A Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) recomenda painéis adaptados à exposição alergénica regional, incluindo ácaros (Dermatophagoides pteronyssinus), pólenes de gramíneas, parietária, oliveira e fungos ambientais.

A medição da fração exalada de óxido nítrico (FeNO) é um marcador de inflamação eosinofílica das vias aéreas, útil no diagnóstico e monitorização da asma alérgica. Valores elevados de FeNO (>50 ppb) sugerem inflamação eosinofílica responsiva a corticosteroides inalados. A European Respiratory Society (ERS) e a American Thoracic Society (ATS) recomendam o FeNO como complemento diagnóstico em casos selecionados de asma alérgica.

Controlo e Tratamento da Asma Alérgica

O tratamento da asma alérgica segue a abordagem escalonada da GINA em 5 steps. Os corticosteroides inalados (CI) em dose baixa são o pilar do tratamento, recomendados desde o step 1 como terapêutica de controlo. A combinação fixa CI + formoterol (terapêutica de alívio e manutenção — MART) é atualmente a abordagem preferida para adultos e adolescentes com asma persistente.

Os broncodilatadores beta-2 agonistas de ação prolongada (LABA) em combinação com CI constituem a terapêutica de manutenção para asma moderada a grave. Os antagonistas dos recetores muscarínicos de ação longa (LAMA), como o tiotrópio, podem ser adicionados em asma não controlada, conforme o step 4-5 da GINA. Os antileucotrienos (montelucaste) são opção complementar, particularmente em doentes com rinite alérgica concomitante.

O controlo adequado da asma é avaliado através de questionários validados como o Asthma Control Test (ACT) e o Asthma Control Questionnaire (ACQ). A avaliação da técnica inalatória, da adesão terapêutica e do controlo ambiental dos alergénios são componentes essenciais do seguimento. A DGS integra estas ferramentas no Plano de Saúde da Asma para os cuidados de saúde primários em Portugal.

Terapêuticas Biológicas na Asma Grave

A asma grave refratária afeta cerca de 5 a 10 % dos doentes asmáticos e representa um desafio terapêutico significativo. As terapêuticas biológicas transformaram a gestão da asma alérgica grave, oferecendo opções dirigidas aos mecanismos imunológicos subjacentes.

O omalizumab (anti-IgE) foi o primeiro biológico aprovado para asma alérgica grave, indicado em doentes com IgE elevada e sensibilização a alergénios perenes. Administrado por via subcutânea a cada 2-4 semanas, reduz significativamente as exacerbações, o uso de corticosteroides orais e melhora a qualidade de vida. Ensaios clínicos publicados no New England Journal of Medicine demonstraram reduções de 25 a 40 % nas exacerbações graves.

Outros biológicos disponíveis incluem o mepolizumab e o reslizumab (anti-IL-5), o benralizumab (anti-IL-5R) e o dupilumab (anti-IL-4/IL-13), indicados em asma eosinofílica ou asma tipo 2-high. O tezepelumab (anti-TSLP) é o mais recente biológico aprovado, eficaz em asma grave independentemente do fenótipo inflamatório. A European Respiratory Society (ERS) recomenda que a seleção do biológico seja individualizada com base em biomarcadores (IgE, eosinófilos no sangue, FeNO) e na história clínica.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece avaliação de asma alérgica, otimização do tratamento conforme as guidelines GINA, e referenciação para consulta especializada em casos de asma grave.

Consulta médica online para diagnóstico e tratamento da asma alérgica

Perguntas frequentes (FAQ)

A asma alérgica não tem cura, mas pode ser bem controlada com tratamento adequado. A imunoterapia específica e os biológicos modificam a doença em alguns doentes. O objetivo é controlar os sintomas e prevenir exacerbações.

Os CI em doses baixas a moderadas são seguros para uso prolongado. Os efeitos sistémicos são mínimos. Podem causar candidíase oral e disfonia, prevenidas pela lavagem da boca após inalação.

Sim. O exercício físico é recomendado em doentes asmáticos bem controlados. A asma induzida pelo exercício pode ser prevenida com broncodilatador 15 minutos antes da atividade física.

Sim. A imunoterapia específica com alergénios está indicada em asma alérgica ligeira a moderada causada por alergénios específicos (ácaros, pólenes), reduzindo sintomas e necessidade de medicação.

Os biológicos estão indicados em asma grave refratária ao tratamento convencional otimizado (step 4-5 da GINA), com exacerbações frequentes ou dependência de corticosteroides orais. A decisão é feita em consulta especializada.

Conclusão

A asma alérgica é uma doença respiratória crónica com tratamento eficaz e progressivamente personalizado. A abordagem escalonada da GINA, combinada com controlo ambiental, imunoterapia específica e, em casos graves, terapêuticas biológicas, permite atingir o controlo adequado na maioria dos doentes. A adesão terapêutica e a técnica inalatória correta são determinantes para o sucesso do tratamento da asma alérgica.

Referências

Global Initiative for Asthma (GINA)

European Respiratory Society (ERS)

Direção-Geral da Saúde (DGS)

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.