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O Futuro do Tratamento da Obesidade: Novas Moléculas, Formulações Orais e Medicina Personalizada

Introdução

O campo da farmacoterapia para a obesidade vive uma era de transformação sem precedentes. Desde a aprovação dos primeiros agonistas do recetor GLP-1 para perda de peso, a investigação acelerou dramaticamente, com dezenas de novas moléculas em desenvolvimento. Agonistas triplos, formulações orais, terapias combinadas e abordagens de medicina personalizada prometem tornar o tratamento da obesidade mais eficaz, mais acessível e mais adaptado ao perfil individual de cada doente. Neste artigo, exploramos o que o futuro próximo reserva.

Agonistas Triplos: A Terceira Geração

Após os agonistas simples (GLP-1) e os duplos (GIP/GLP-1), a terceira geração de injetáveis inclui agonistas triplos que atuam simultaneamente nos recetores GLP-1, GIP e glucagon. Ensaios clínicos de fase II, publicados no The New England Journal of Medicine (2023), demonstraram perdas de peso superiores a 24% em 48 semanas com retatrutide, o primeiro agonista triplo testado em larga escala. A ativação do recetor de glucagon adiciona um efeito termogénico (aumento do gasto energético) e promove a oxidação hepática de gorduras. A Nature Reviews Drug Discovery (2024) classificou esta classe como a mais promissora em desenvolvimento.

Formulações Orais: O Fim das Injeções?

Uma das limitações dos tratamentos atuais é a necessidade de injeção subcutânea, que pode constituir uma barreira para alguns doentes. Estão em fase avançada de desenvolvimento formulações orais de agonistas GLP-1, com resultados promissores em ensaios de fase III. Dados publicados na revista The Lancet (2024) demonstraram que uma formulação oral diária alcançou perdas de peso de 13 a 15% — inferiores às das formulações injetáveis de última geração, mas significativas e com a conveniência de um comprimido. A Agência Europeia do Medicamento (EMA) tem em avaliação vários pedidos de autorização para estas novas formulações.

Terapias Combinadas e Novas Abordagens

A combinação de fármacos com mecanismos complementares é outra frente de investigação ativa. Estudos estão a testar a associação de agonistas GLP-1 com anticorpos anti-miostatina (para preservar massa muscular), com agonistas do recetor de amilina (para potenciar a saciedade) e com moduladores do eixo cérebro-intestino. Um ensaio publicado na Nature Medicine (2024) demonstrou que a combinação de um agonista GLP-1 com cagrilintide (análogo da amilina) produziu perdas de peso superiores a 22%, com melhor preservação da massa muscular. A Sociedade Europeia de Endocrinologia (ESE) antecipa que as terapias combinadas se tornarão o padrão de tratamento na próxima década.

Medicina Personalizada na Obesidade

O futuro do tratamento passará pela personalização. Nem todos os doentes respondem igualmente ao mesmo fármaco, e a farmacogenómica — estudo da influência genética na resposta aos medicamentos — pode permitir prever qual o tratamento mais adequado para cada pessoa. Investigação publicada na Cell (2024) identificou variantes genéticas associadas a melhor ou pior resposta aos agonistas GLP-1, abrindo caminho para a prescrição baseada no perfil genético. A Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) acompanham estes desenvolvimentos com expectativa.

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Perguntas frequentes (FAQ)

Várias formulações orais estão em fase avançada de desenvolvimento e avaliação regulatória. A expectativa é que as primeiras estejam disponíveis na Europa em 2025-2026, mas os prazos dependem da aprovação das agências reguladoras.

Os dados preliminares sugerem perdas de peso superiores (acima de 24% em alguns estudos), mas são necessários dados de fase III e de segurança a longo prazo. São considerados a classe mais promissora em desenvolvimento.

Está em investigação. A farmacogenómica poderá permitir, no futuro, identificar qual o fármaco mais adequado para cada pessoa. Atualmente, a escolha baseia-se em critérios clínicos, comorbilidades e tolerância.

A entrada de novas moléculas e de formulações genéricas ou biossimilares poderá reduzir os custos. As formulações orais também tendem a ter custos de produção inferiores aos injetáveis.

A entrada de novas moléculas e de formulações genéricas ou biossimilares poderá reduzir os custos. As formulações orais também tendem a ter custos de produção inferiores aos injetáveis.

Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico profissional.
Consulte sempre o seu médico antes de iniciar qualquer tratamento

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.