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Injetáveis para Emagrecer, Gravidez e Fertilidade: O Que Toda a Mulher Deve Saber

Introdução

A relação entre os injetáveis para perda de peso e a fertilidade feminina tem gerado enorme interesse mediático e científico. Por um lado, a obesidade é uma causa conhecida de infertilidade e complicações obstétricas. Por outro, os agonistas do recetor GLP-1 estão contraindicados durante a gravidez. Este aparente paradoxo levanta questões importantes para mulheres em idade fértil que consideram ou estão a realizar tratamento para a obesidade. Neste artigo, analisamos a evidência disponível e as recomendações das sociedades médicas.

Obesidade e Fertilidade: Uma Relação Complexa

A obesidade compromete a fertilidade feminina através de múltiplos mecanismos: resistência à insulina, hiperandrogenismo, anovulação e aumento de citocinas inflamatórias que afetam a implantação embrionária. A síndrome do ovário poliquístico (SOP), frequentemente associada à obesidade, é uma das principais causas de infertilidade feminina. Um estudo publicado na revista Human Reproduction Update (2023) demonstrou que a perda de 5% a 10% do peso corporal pode restaurar a ovulação em até 80% das mulheres com SOP e obesidade. A Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE) recomenda a perda de peso como intervenção de primeira linha em mulheres obesas com infertilidade.

O Fenómeno dos “GLP-1 Babies”

Relatos nas redes sociais e na imprensa sobre gravidezes inesperadas em mulheres a usar agonistas GLP-1 — os chamados “GLP-1 babies” — despertaram a atenção pública. A explicação provável é que a perda de peso melhora os perfis hormonais e restaura a ovulação em mulheres que se consideravam subférteis. Além disso, dados publicados no British Journal of Clinical Pharmacology (2023) sugerem que os agonistas GLP-1 podem reduzir a eficácia dos contracetivos orais ao atrasar o esvaziamento gástrico e potencialmente reduzir a absorção. A Agência Europeia do Medicamento (EMA) emitiu recomendações para que mulheres em tratamento utilizem métodos contracetivos adicionais não orais.

Contraindicação na Gravidez

Os agonistas do recetor GLP-1 estão formalmente contraindicados durante a gravidez e a amamentação. Estudos pré-clínicos em animais demonstraram efeitos adversos sobre o desenvolvimento fetal, incluindo anomalias congénitas e restrição de crescimento intrauterino. A Agência Europeia do Medicamento (EMA) e o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) recomendam a descontinuação do tratamento pelo menos dois meses antes de uma gravidez planeada, para garantir a eliminação completa do fármaco do organismo.

Planeamento Familiar Durante o Tratamento

Mulheres em idade fértil que iniciam tratamento com injetáveis devem ser informadas sobre a necessidade de contraceção eficaz durante todo o período de tratamento e durante pelo menos dois meses após a última dose. A Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG) recomenda métodos contracetivos não orais — como dispositivos intrauterinos, implantes ou preservativos — que não sejam afetados pelas alterações da motilidade gastrointestinal. A conversa sobre planeamento familiar deve ser parte integrante da consulta de início de tratamento.

Consulta médica online para acompanhamento da gravidez

Perguntas frequentes (FAQ)

Os injetáveis estão contraindicados durante a gravidez. Se engravidar durante o tratamento, deve suspender imediatamente o medicamento e contactar o seu médico. Deve descontinuar pelo menos 2 meses antes de uma gravidez planeada.

Pode haver redução da eficácia dos contracetivos orais devido ao atraso do esvaziamento gástrico. Recomenda-se a utilização de métodos contracetivos adicionais não orais durante o tratamento.

Pode haver redução da eficácia dos contracetivos orais devido ao atraso do esvaziamento gástrico. Recomenda-se a utilização de métodos contracetivos adicionais não orais durante o tratamento.

Não. A amamentação é uma contraindicação para o uso de agonistas GLP-1, pois não existem dados suficientes sobre a excreção no leite materno e a segurança para o lactente.

A recomendação geral é aguardar pelo menos 2 meses após a última dose para garantir a eliminação completa do fármaco do organismo antes da conceção.

Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico profissional.
Consulte sempre o seu médico antes de iniciar qualquer tratamento

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.