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Dengue, Zika e Chikungunya: Doenças Tropicais Emergentes para o Viajante

Introdução

As arboviroses — doenças transmitidas por mosquitos do género Aedes — representam uma ameaça crescente para viajantes internacionais e, cada vez mais, para a Europa. A dengue, o zika e o chikungunya são as três arboviroses mais relevantes para a saúde do viajante, com áreas de transmissão em expansão e número crescente de casos importados para a Europa.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a dengue como uma das principais ameaças à saúde global, com o número de casos reportados a quadruplicar nas últimas duas décadas. O European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) monitoriza ativamente os casos importados na Europa e os surtos autóctones que ocorreram em Portugal (Madeira, 2012), França, Espanha e Itália.

Dengue: A Arbovirose Mais Frequente no Viajante

A dengue é a arbovirose mais comum no viajante regressado dos trópicos, causada por quatro serotipos do vírus dengue (DENV-1 a 4) e transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e Aedes albopictus (mosquito-tigre). A incidência global ultrapassa os 100 milhões de infeções sintomáticas por ano, com áreas endémicas no Sudeste Asiático, América Latina, África e Oceania.

O período de incubação é de 4 a 14 dias. A apresentação clássica inclui febre alta de início súbito, cefaleia intensa (frequentemente retro-orbitária), mialgias graves (“febre quebra-ossos”), artralgias, exantema maculopapular e leucopenia. A fase crítica ocorre tipicamente entre o 3.º e 7.º dia, com risco de dengue grave: extravasamento plasmático, hemorragia e choque.

O diagnóstico baseia-se em testes rápidos de antigénio NS1 (sensível nos primeiros 5 dias), PCR viral e serologia (IgM/IgG). O tratamento é de suporte: hidratação abundante, paracetamol para febre e dor (AINEs contraindicados pelo risco hemorrágico) e monitorização de sinais de alarme. A vacina contra a dengue (Dengvaxia e TAK-003/Qdenga) está disponível em Portugal para viajantes selecionados, conforme recomendações da DGS.

Zika e Chikungunya: Riscos para o Viajante

O vírus Zika ganhou notoriedade global em 2015-2016 pela associação com microcefalia fetal e síndrome de Guillain-Barré. A infeção por Zika é frequentemente assintomática ou causa sintomas ligeiros: febre baixa, exantema pruriginoso, conjuntivite não purulenta e artralgias. O principal risco é para mulheres grávidas ou que planeiem engravidar, devendo evitar ou adiar viagens a áreas de transmissão ativa de Zika.

O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) recomenda que mulheres grávidas evitem viajar para zonas de transmissão ativa de Zika. Viajantes que regressem de áreas endémicas devem usar preservativo durante pelo menos 3 meses (homens) ou 2 meses (mulheres) após o regresso, pela possibilidade de transmissão sexual do vírus.

O chikungunya caracteriza-se por febre alta e poliartralgia bilateral simétrica intensa, frequentemente incapacitante e que pode persistir durante meses a anos (artrite crónica pós-chikungunya) em 30 a 40 % dos doentes. Não existe tratamento específico — AINEs e fisioterapia são a base do tratamento da artrite crónica. A European League Against Rheumatism (EULAR) reconhece a artrite por chikungunya como causa de poliartralgia crónica no viajante regressado dos trópicos.

Prevenção e Proteção Contra Mosquitos

A prevenção das arboviroses baseia-se primariamente na proteção contra picadas do mosquito Aedes, que pica predominantemente durante o dia (ao contrário do Anopheles da malária, que pica ao anoitecer). As medidas incluem repelente cutâneo com DEET 20-50 % ou icaridina 20 %, aplicado sobre a pele exposta e reaplicado a cada 4-6 horas.

O uso de roupa comprida de cor clara, impregnação de roupas com permetrina, e permanência em espaços com ar condicionado ou redes mosquiteiras reduzem significativamente o risco de picada. A International Society of Travel Medicine (ISTM) recomenda que os repelentes sejam aplicados após o protetor solar, e não antes.

A vacinação contra a dengue com a vacina Qdenga (TAK-003) foi aprovada pela European Medicines Agency (EMA) e está disponível para viajantes em Portugal. É administrada em duas doses com intervalo de 3 meses, podendo ser considerada para viajantes frequentes ou de longa duração em áreas endémicas. A consulta do viajante é o momento ideal para avaliar a indicação vacinal, informar sobre medidas de proteção e aconselhar sobre os sintomas de alerta que justificam procura de cuidados médicos no destino ou após o regresso.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece avaliação de risco para arboviroses na consulta do viajante, aconselhamento sobre proteção contra mosquitos, vacinação contra dengue e orientação para viajantes grávidas ou que planeiem engravidar.

Mulher em teleconsulta médica para sintomas de dengue

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim, embora raramente. Casos autóctones de dengue foram reportados em Portugal (Madeira, 2012), França, Espanha e Itália, transmitidos pelo mosquito-tigre (Aedes albopictus). O risco é baixo mas crescente.

Sim, embora raramente. Casos autóctones de dengue foram reportados em Portugal (Madeira, 2012), França, Espanha e Itália, transmitidos pelo mosquito-tigre (Aedes albopictus). O risco é baixo mas crescente.

Não é recomendado. O vírus Zika pode causar malformações graves no feto. Se a viagem for inevitável, devem ser maximizadas as medidas de proteção contra mosquitos e usado preservativo durante toda a gravidez.

Na maioria dos doentes, a artralgia resolve em semanas. Contudo, 30-40% podem ter dor articular crónica durante meses ou anos. O tratamento com anti-inflamatórios e fisioterapia ajuda a controlar os sintomas.

Sim. O DEET é o repelente mais estudado e seguro, recomendado pela OMS para grávidas e crianças (>2 meses). Concentrações de 20-50% oferecem proteção de 4-8 horas contra mosquitos.

Conclusão

As arboviroses — dengue, zika e chikungunya — são riscos crescentes para o viajante internacional. A proteção eficaz contra picadas de mosquitos é a medida preventiva mais importante. A vacinação contra a dengue é uma ferramenta adicional para viajantes selecionados. O reconhecimento dos sintomas e a procura atempada de cuidados médicos são essenciais para o diagnóstico precoce e a gestão adequada destas infeções tropicais emergentes.

Referências

European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC)

World Health Organization (WHO)

Centers for Disease Control and Prevention (CDC)

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.