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Urticária: Causas, Tipos e Tratamento

Introdução

A urticária é uma das reações cutâneas mais comuns, caracterizada pelo aparecimento de placas vermelhas, salientes e pruriginosas (“vergões” ou “babas”) que surgem subitamente e podem desaparecer em minutos a horas, reaparecendo noutras zonas do corpo. Afeta cerca de 20% da população pelo menos uma vez na vida, segundo a European Academy of Allergy and Clinical Immunology (EAACI). Em Portugal, a SPAIC confirma esta prevalência elevada.

Pode ser aguda (duração inferior a 6 semanas) ou crónica (superior a 6 semanas). Enquanto a aguda tem frequentemente uma causa identificável — alimento, medicamento, infeção — a crónica é, na maioria dos casos, espontânea (sem causa externa identificável), resultante de mecanismos autoimunes. A European Dermatology Forum e a EAACI/GA²LEN/EDF/WAO publicaram guidelines internacionais para o diagnóstico e tratamento que servem de referência na prática clínica.

Tipos de Urticária e Causas

A urticária aguda é frequentemente desencadeada por alergias alimentares (marisco, frutos secos, leite, ovo), medicamentos (AINEs, antibióticos), picadas de insetos ou infeções virais. Na maioria dos episódios agudos, a causa é identificável e o quadro resolve em dias a poucas semanas. A urticária crónica espontânea (UCE) é a forma crónica mais frequente, afetando até 1% da população, e resulta geralmente da ativação de mastócitos cutâneos por mecanismos autoimunes.

Existem ainda urticárias físicas, desencadeadas por estímulos específicos: frio, pressão, exercício físico, vibração ou exposição solar. A urticária colinérgica, desencadeada pelo aumento da temperatura corporal (exercício, banho quente, stress), é particularmente comum em jovens. A identificação do tipo é essencial para orientar o tratamento adequado.

Diagnóstico: Quando Investigar?

Na urticária aguda com causa aparente (alimento, medicamento), geralmente não é necessária investigação adicional. Na crónica (duração superior a 6 semanas), recomenda-se avaliação laboratorial básica: hemograma, PCR, velocidade de sedimentação, função tiroideia e anticorpos antitiroideus. A EAACI recomenda que os testes alérgicos sejam realizados apenas quando a história clínica sugere um alérgeno específico, e não por rotina.

O diagnóstico diferencial inclui vasculite urticariforme (lesões que persistem mais de 24 horas no mesmo local e deixam hematoma), angioedema hereditário e mastocitose. A referenciação para imunoalergologia ou dermatologia é recomendada em urticárias crónicas que não respondem ao tratamento de primeira linha.

Tratamento: Anti-histamínicos e Além

Os anti-histamínicos H1 de segunda geração (cetirizina, bilastina, fexofenadina, rupatadina) são o tratamento de primeira linha, tomados em dose standard. Se insuficiente, as guidelines recomendam aumentar a dose até 4 vezes a dose habitual (off-label mas com evidência robusta). Em caso de falência, o omalizumab (anticorpo monoclonal anti-IgE) é o tratamento de segunda linha recomendado para UCE, aprovado pela EMA e disponível em Portugal.

Os corticosteroides sistémicos podem ser usados em ciclos curtos (3-7 dias) para agudizações graves, mas não devem ser usados de forma prolongada devido aos efeitos adversos. A ciclosporina é reservada como terceira linha para casos refratários. O tratamento deve ser mantido até remissão estável e depois reduzido gradualmente.

Urticária e Angioedema: Quando É Grave?

A urticária pode associar-se a angioedema — inchaço dos tecidos profundos, tipicamente dos lábios, pálpebras, mãos, pés ou genitais. O angioedema associado é geralmente mediado por histamina e responde a anti-histamínicos. No entanto, o angioedema isolado pode ser mediado por bradicinina e não responder a anti-histamínicos nem a adrenalina, requerendo tratamento específico.

A anafilaxia — reação sistémica grave com urticária, dificuldade respiratória, hipotensão e/ou perda de consciência — é uma emergência médica que requer adrenalina intramuscular imediata e ativação do 112. A WAO recomenda que doentes com episódios de anafilaxia tenham sempre disponível um auto-injetor de adrenalina.

Na Médico na Net, avaliamos episódios de urticária aguda e crónica por teleconsulta, prescrevemos tratamento anti-histamínico adequado, orientamos sobre investigação diagnóstica e referenciamos para imunoalergologia ou dermatologia em casos que necessitem de tratamento avançado.

Avaliação de urticária em teleconsulta

Perguntas frequentes (FAQ)

Na maioria dos casos, é desconfortável mas não perigosa. O risco surge quando se associa a angioedema das vias aéreas ou a anafilaxia. Se sentir dificuldade em respirar, inchaço da garganta ou tonturas, ligue 112 imediatamente.

Sim, tende a resolver-se com o tempo na maioria dos doentes: cerca de 50% ficam livres de sintomas em 1-2 anos. Enquanto persiste, pode ser controlada eficazmente com anti-histamínicos e, nos casos refratários, com omalizumab.

Apenas se a história clínica sugerir uma causa alérgica específica (alimento, medicamento). Na urticária crónica espontânea, os testes alérgicos não são rotineiramente recomendados, pois a causa é geralmente autoimune e não alérgica.

Sim, as guidelines internacionais recomendam o aumento da dose de anti-histamínicos H1 de segunda geração até 4 vezes a dose standard como segundo passo terapêutico. Deve ser feito sob orientação médica.

O stress pode ser um fator agravante ou desencadeante, sobretudo na urticária crónica. Os mecanismos incluem libertação de neuropéptidos que ativam os mastócitos. A gestão do stress pode contribuir para o controlo da doença.

Conclusão

A urticária é uma condição muito frequente que, embora geralmente benigna, pode ter impacto significativo na qualidade de vida. O diagnóstico correto do tipo e o tratamento adequado — com anti-histamínicos em doses otimizadas e, quando necessário, terapêuticas biológicas — permitem controlar eficazmente a maioria dos casos. A referenciação para imunoalergologia é recomendada na urticária crónica refratária.

Referências

European Academy of Allergy and Clinical Immunology (EAACI). Urticaria Guidelines

Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). Urticária — orientações clínicas

European Medicines Agency (EMA). Omalizumab (Xolair)

World Allergy Organization (WAO). Urticaria and angioedema

New England Journal of Medicine. Omalizumab in chronic urticaria

Direção-Geral da Saúde (DGS). Anafilaxia — norma clínica

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.